14 de dezembro de 2018

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COMO AS DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS ESTÃO BURLANDO A PROIBIÇÃO DA VERTICALIZAÇÃO

Nos últimos dias, temos visto notícias alarmantes sobre o mercado de combustíveis no Brasil. Em 31/07, a Polícia Federal deflagrou a Operação Margem Controlada, com a qual descobriu-se que grandes Distribuidoras de combustíveis controlavam os preços de custos de postos de suas redes em Curitiba/PR, desde que os mesmos vendessem por preços de venda determinados por elas .

Nos EUA essa prática de controle de margem é amplamente difundida e utilizada, mas lá o mercado é livre, e as grandes Distribuidoras controlam somente 1/3 do mercado, e possuem uma margem bruta média 1%. Já no Brasil, o oligopólio das três maiores Distribuidoras, controla 2/3 do volume e trabalha com uma margem de 5%. Lá também o mercado é muito mais avançado que o brasileiro e as oscilações de preços são mais comuns.

Revendedores das capitais e grandes cidades sabem que essa prática de controle de margem não é exclusiva de Curitiba, e há mais de 20 anos é utilizada para promover os postos escolhidos pela Distribuidora, principalmente nos maiores corredores das cidades. Estes postos aceitam os preços sugeridos pelas Distribuidoras e, em troca, conseguem melhores condições de compras, desequilibrando o mercado.

Outra prática condenável é a dos programas de fidelidade e relacionamento das Distribuidoras. Os postos bandeirados cadastram seus clientes nestes programas e, a partir daí, tornam-se verdadeiros reféns, uma vez que entregam ao seu fornecedor o controle daquilo que é o seu principal ativo, a sua carteira de clientes. Assim, as Distribuidoras têm acesso ao perfil de consumo de milhões de clientes e criam uma grande barreira de saída para os revendedores, uma vez que eles não conseguem se comunicar diretamente com esses consumidores.

O papel das distribuidoras seria apenas o de fornecimento de combustíveis aos seus postos revendedores, mas, através dos seus programas de relacionamento, extrapolam seus papéis e falam diretamente com o cliente final, fazem promoções, oferecem descontos e até direcionam clientes para comprarem em postos escolhidos por elas, e os premiam com preços especiais e inalcançáveis para os revendedores que não aceitam participar desse esquema.

Um outro ponto é que, no Brasil, a legislação nacional proíbe a prática da verticalização, ou seja, uma distribuidora é proibida legalmente de atuar na revenda de combustíveis. Ao conceder descontos e benefícios diretos ao cliente que abastece, acaba por interferir na precificação e operação do revendedor, criando um canal direto com o consumidor final, reduzindo a relevância do revendedor, e, talvez, violando a própria lei.

É preciso dar um basta nisso, aguardemos os próximos passos!

FONTE:02/08/2018-Dawilsson Lage

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