3 de agosto de 2020

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Inteligência emocional para tempos difíceis

Maio 2020 Os últimos anos foram marcados por diversos reveses no mercado de combustíveis, que testaram a resistência dos empresários; é preciso, sobretudo, boa gestão e inteligência emocional para lidar com situações adversas Crises e postos: é possível estar preparado? “Gestão de caixa é a bola da vez.” Quem avisa é o professor associado de Finanças da Fundação Dom Cabral (FDC) Sérgio Eustáquio Pires. O revendedor mais experiente sabe do risco de se trabalhar com um fluxo de caixa baixo. Muitas vezes, não é uma opção do empresário, que acaba por não conseguir dar ao caixa a robustez necessária, o que o leva a acionar o “piloto automático”. O problema é quando vem uma situação inesperada, como a crise provocada pelo coronavírus. Aquele revendedor que não tinha fôlego financeiro corre um risco maior de sofrer as consequências por mais tempo e, em casos extremos, ver-se obrigado a fechar as portas. Principalmente o revendedor de Minas Gerais, que vinha de situações adversas ao longo dos últimos anos, pode ter sido pego sem recursos suficientes para sobreviver à situação. O que Sérgio Eustáquio destaca é que ainda há tempo hábil para que se planeje melhor o fluxo. “Em tempos de crise, se possível, o empresário deve fazer uma planilha com as entradas e saídas diárias para os próximos três ou quatro meses. Se observar que o caixa não dará conta de cobrir os prejuízos da crise de agora, por exemplo, ele não pode esperar, pois não há mais tempo e margem para erro. Ou seja, esse empresário já pode ir preparando a documentação para obter possíveis empréstimos, pedir um balanço para a contabilidade e mensurar o volume de recursos que será necessário.” Quem foi pego de “calça curta”, linhas de crédito são umas das soluções mais interessantes. “Tomar empréstimo não é o fim do mundo, pelo contrário, ajuda a crescer”, diz o professor. Ele dá a fórmula para não ter prejuízos futuros: a rentabilidade operacional do posto tem que ser maior do que o custo do empréstimo. “Há uma falácia no mercado de que existe dinheiro caro e dinheiro barato. Isso não é verdade.” Por exemplo, uma empresa pegou um empréstimo de 12% ao ano, mas o retorno operacional que esse recurso está dando é de 15% – neste caso, portanto, o endividamento não é um problema. “É uma saída, é saudável, mas o revendedor tem que fazer a conta de quanto a operação está gerando de retorno.” Outra dica do especialista é aportar capital. Se o empresário, como sócio, tem verba para emprestar para o posto, a hora é agora. Se ele tem o dinheiro, acredita no negócio e na retomada da economia, é preciso fazer o que na área de finanças é chamado de “contrato de mútuo”. Tudo pode ser bem amarrado contratualmente, com prazos de pagamento e outras medidas de segurança para a devolução do dinheiro. O intuito dessa movimentação é sair do risco das sanções a que as instituições financeiras podem recorrer em caso de inadimplência. A crise provocada pelo coronavírus deixará uma série de lições para a sociedade. Especificamente para o empresariado, ficará o ensinamento de que aquele que ainda atua de forma intuitiva, sem planejamento, dificilmente sobreviverá. É preciso ser mais que empresário do ramo de combustíveis: o mundo de hoje e o futuro demandam gestores profissionais, dotados de inteligência emocional para suportar uma crise econômica e sanitária dessa dimensão. Todo o preparo, portanto, é pouco neste momento. Professor da FDC mostra possíveis caminhos para lidar com a falta de caixa em tempos de recessão 19 Inteligência emocional para tempos difíceis A vida não tem sido fácil para o revendedor mineiro. Nos últimos três anos, crises nunca antes vivenciadas sequer pelos empresários mais experientes abalaram o setor. Em 2018, foi a greve dos caminhoneiros; já o ano passado ficou marcado pela ameaça de verticalização no varejo de combustíveis; e 2020 tem sido ainda mais desafiador: não bastasse as chuvas terem destruído cidades em janeiro, logo em seguida veio a pandemia. Mal havia se restabelecido de um, veio outro baque para testar a capacidade de resistência dos empresários do setor. É possível se recuperar? Como ter inteligência emocional para lidar com tantos reveses sucessivos? A Revista Minaspetro conversou com Simone Demolinari, psicanalista clínica e mestre em anomalia comportamental, que transmite aos revendedores uma mensagem de alento neste momento turbulento. Em primeiro lugar, a especialista destaca a importância de o empresário ser resistente para passar pela crise. “Muita gente confunde resistência com resiliência. Resistência é aguentar as adversidades sem esmorecer. A resiliência é a capacidade de voltar ao normal depois que o momento ruim passar. Ou seja, passamos, agora, por um momento em que a pessoa precisa resistir, ser forte, para, aí, sim, ser resiliente e conseguir manter o seu negócio.” Na teoria parece fácil, e não há uma “receita de bolo” para adquirir toda a inteligência emocional necessária para lidar com uma crise econômica tão profunda como a que resultará da pandemia. Simone, no entanto, cita um estudo que apontou as características de uma pessoa considerada resiliente, às quais o empresário pode recorrer para reerguer o negócio. OTIMISMO COM EMBASAMENTO “Todas as pessoas resilientes eram otimistas nessa pesquisa. Não aquele otimismo injustificado, povoado de frases clichê como ‘tudo vai dar certo’ – não é isso. Um otimismo alicerçado em valores internos, reais, com convicção”, diz Simone. São aquelas pessoas que conseguem ver oportunidades na dificuldade e têm confiança em sua capacidade, mesmo em um cenário desfavorável. SEM VITIMISMO É preciso diferenciar vítima de vitimista. A vítima é aquela que tem uma fraqueza explorada. Por exemplo, uma pessoa que foi assaltada, ou seja, estava vulnerável e não tinha o que fazer. Já o vitimista explora o fato e fica estagnado no sofrimento e na reclamação. FÁCIL ADAPTAÇÃO “Os resilientes ‘trocam as peças do tabuleiro’ com facilidade. Livram-se do problema rapidamente, não ficam apegados ao que foi vivido. Desprendem-se daquilo e pronto! Seguem em frente.” APRENDIZADO COM O ERRO Não insistir em situações que não foram bem- -sucedidas é fundamental para seguir adiante. O resiliente até pode insistir no erro, mas aprende muito mais do que erra. Simone Demolinari explica que as características que compõem uma pessoa resiliente não são, obrigatoriamente, provenientes da personalidade. É algo que pode ser treinado e colocado em prática. Alguns indivíduos superam seus desafios porque a vida lhes impôs situações adversas; outros podem aprender e se empenhar em reforçar essas características. Ter resistência para passar por este momento vivido pelo mercado e resiliência para voltar à normalidade no posto de combustíveis são as recomendações. O Minaspetro trabalha para que voltemos a ter um ambiente de negócios saudável e promissor. Vamos prevalecer!  

FONTE:  Revista Minaspetro de maio  2020

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