28 de maio de 2018

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O futuro do etanol está nas mãos do governo.

Esta é certeza do setor sucroalcooleiro, que torce pela volta da Cide ou aumento da gasolina e tem, ainda, muitas reivindicações para apresentar ao governo.

por Márcia Alves

A projeção para o cenário futuro do etanol começa pelo tamanho da oferta de cana na próxima safra. Ainda é cedo para estimar, mas o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, acredita que a próxima safra será equivalente à atual, que enfrentou uma quebra superior a 40 milhões de toneladas de cana. Mesmo assim, ele descarta a redução da oferta de etanol, já que aposta em uma safra mais alcooleira.

Entretanto, Pádua reconhece que apenas a oferta de etanol não poderá garantir o aumento da demanda pelo produto, que também dependerá de outros fatores. Um seria o desempenho do mercado de combustíveis de motores ciclo Otto, que nos últimos meses sofreu retração em virtude da queda na venda de veículos. Outro fator seria o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que o governo sinaliza para o teto de 27,5%. “O etanol anidro é um mercado regulado e o setor tem capacidade instalada e disponibilidade de cana para atender à demanda”, garante.

O que ainda não é possível garantir, segundo Pádua, é o comportamento de preços do etanol hidratado no próximo ano, que estará sujeito a duas decisões do governo: o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o aumento de preço da gasolina. “A Cide seria, sem dúvida, o principal elemento para tornar etanol hidratado mais competitivo”, admite.

Mas ressalva, porém, que tudo depende de qual alíquota o governo aplicará, em uma margem que varia de zero até o teto de R$ 0,86 por litro. “A definição está na calibração entre quanto o Estado precisa e quanto quer que o etanol cresça na matriz de combustíveis”, diz.

Para o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, especialista no setor sucroalcooleiro, a recessão econômica prevista para 2015 impedirá mudanças significativas nos preços combustíveis. “Por enquanto, a equação câmbio e petróleo no mercado internacional tem sido favorável ao governo, que até pode empurrar com a barriga um possível aumento da gasolina. É bem provável que a opção seja a volta da Cide, que deverá trazer maior competitividade ao etanol”, avalia.

Se a volta da Cide se confirmar ou o aumento de preço da gasolina, Pádua acredita que os preços praticados na bomba é que ditarão a demanda pelo produto. “Se houver muita oferta, a relação de preços ficará competitiva para o consumidor e somente o produtor amargará o prejuízo. Se houver pouca oferta, o preço terá de ficar próximo à paridade com a gasolina, ou então o mercado desaparecerá”, diz.

Mas, se o governo não tomar nenhuma decisão, resta ao setor sucroalcooleiro torcer pela aprovação de um projeto de lei em discussão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que prevê a redução de ICMS sobre o etanol de 19% para 15%. “A redução do imposto, em condição semelhante a São Paulo, traria expansão à demanda de etanol hidratado no estado”, diz.

Com o seu futuro nas mãos do governo, o setor sucroalcooleiro tem de pressa de sentar à mesa de discussão com o novo governo. Na pauta de reivindicações constam: adoção de uma política de longo prazo para o setor; definição da participação do etanol na matriz energética; valorização das externalidades positivas do etanol para o meio ambiente e a saúde e uma política para as montadoras de veículos melhorarem o consumo de etanol dos veículos flex. “A presidente disse que dialogaria com os setores. Nossa expectativa e sermos o primeiro da fila”, afirma Pádua.

Fonte: Revista Posto de Observação – Edição 360

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